Como profissional de saúde mental já atendi em consultório vários casos de transtornos de humor. Estão incluídos nesses transtornos a depressão, transtorno bipolar, entre outros.
Um número grande de pessoas sofrem com esses transtornos em seu cotidiano, algumas buscam acompanhamento apenas medicamentoso e seguem suas vidas enfrentando dificuldades. Entre os citados acima o transtorno bipolar é o que mais carece de acompanhamento medicamentoso, geralmente feito com Carbonato de Lítio ou outra medicação que auxilia no controle da instabilidade emocional, regulando o equilíbrio da química cerebral. Os estudos sobre os transtornos de humor mostram que o medicamento inibe os sintomas, mas somente uma associação com psicoterapia evita o retorno dos episódios em recaídas.
Entendam isso, algo levou ao desenvolvimento do transtorno e o medicamento não vai te ajudar a descobrir e alterar essa causa, ele é um paliativo. Ele atua como uma "bengala" necessária por um tempo pra te ajudar a voltar a andar sozinho. Nem todas as pessoas com depressão, bipolar ou outro transtorno de humor precisam de medicamento, mas se precisarem, espero que não tenham preconceitos tolos e os usem.
Buscar ajuda - seja a que for - é lutar por quem mais vale a pena: você mesmo.
Com relação a psicoterapia, existem diferentes abordagens terapêuticas em Psicologia, cada uma atua da sua maneira e todas podem ser úteis. Dentro de uma perspectiva Cognitivo-Comportamental, se houver a suspeita de um transtorno de humor, o terapeuta tentará construir junto com você a relação entre seus pensamentos - sentimentos - comportamento. Além disso, ele irá te pedir para fazer certas atividades fora do horário das sessões. Essas tarefas são muitos importantes para que o caso evolua bem e a pessoa sofra por menos tempo. Uma tarefa de casa comum inclui a realização de caminhadas ou outro exercício aeróbico. Essas práticas, além de auxiliar a manter a saúde física, contribuem para a regulação da química cerebral, ajudando a manter o humor mais estável.
No caso da depressão, o profissional procurará localizar pensamentos automáticos (aqueles que surgem sem que você pense sobre um assunto) e as crenças que existem por trás desses pensamentos e que levam a comportamentos disfuncionais (ex: imaginar que ninguém se importa com você, mas se alguém te liga você não atende o telefone). O terapeuta buscará, ainda, encontrar atividades que no passado foram prazerosas para o cliente e que possam ser feitas no presente, aumentando o círculo de contatos da pessoa e sua chance de voltar a se sentir bem. É prática corriqueira nas duas abordagens passar "tarefas de casa", que consistem em alguma atividade ligada ao caso de forma direta ou indireta, que vai ao longo do tempo auxiliando no tratamento.
Todos os transtornos de humor são tratáveis e para a maior parte das pessoas há remissão completa dos transtornos após o acompanhamento. Então dê o primeiro passo, vença o preconceito e lembre que VOCÊ NÃO PRECISA SUPORTAR TUDO SOZINHO, BUSQUE AJUDA.